sábado, 28 de março de 2009

Hackintosh, o novo Mac


A recente notícia de que a quantidade de computadores com Linux conectados à internet já foi superada pela de Hackintoshes (PCs modificados extraoficialmente para rodar o Mac OS X) é ainda mais impressionante quando se pensa que as modificações envolvem hacks pesados e muito trabalho manual para “convencer” o PC de que ele também é um Mac.

Excetuando a necessidade de montar seu PC com hardware compatível para não perder dinheiro – afinal, a principal razão para alguém montar um Hackintosh em vez de comprar um lindo Mac original é financeira –, o usuário de um computador desses ainda fica dependente de atualizações dos hacks para o sistema e não dispõe de suporte da Apple, já que um Hackintosh é oficialmente um computador perna-de-pau.

Até você ver a maçã cinza e na sequência um desktop prontinho para usar em seu monitor, lá se vão várias horas (dias?) de paciência, esforço, frustração, palavrões proferidos contra o computador e mais esforço. Não existe uma solução mágica para rodar o Mac OS X no PC com um clique do mouse, nem o milagroso EFI-X faz isso (veja na página 50).

Neste artigo, não daremos um passo-a-passo a respeito de como instalar o OS X em seu PC. Existem muitos tutoriais sobre o assunto na web. O que vamos mostrar é um “caminho das pedras”, com o básico que você precisa saber antes da empreitada, onde (e como) procurar informações e as armadilhas que você deve evitar. Com isso, você já deverá ter conhecimento suficiente para “se virar sozinho”, algo fundamental nesta jornada. Pronto? Então, mãos à obra.

Primeiros passos

Antes de colocar a mão na massa, você precisa se armar de informação, sua maior aliada. É necessário que você saiba tudo, tudo mesmo sobre seu computador. Dizer “Ah, tem um ‘chips’ de 2 ‘gigarértis’ e um gravador de DVD” não adianta. Você precisa saber fabricante, modelo e velocidade (clock) do processador, bem como fabricante e modelo exatos da placa-mãe e de todo o resto que está plugado nela. Quanto mais você souber, maiores as chances de as coisas darem certo.

Você pode obter essas informações de diversas maneiras. O método mais simples é usando o próprio Windows, no Gerenciador de Dispositivos. Vá a Iniciar > Configurações > Painel de Controle > Sistema e clique na aba Gerenciador de Dispositivos. Anote o que aparece debaixo de cada seção, como “Adaptadores de Rede” ou “Adaptadores de vídeo”.

Informações mais detalhadas podem ser obtidas com utilitários desenvolvidos especificamente para isso, como o Belarc Advisor (gratuito), que faz um levantamento completo de tudo que está em seu micro, ou o CPU-Z, que entrega todo o jogo sobre o processador e placa-mãe.

De posse de todas as informações necessárias, é hora de ver se os componentes de seu PC são compatíveis com o Mac OS X. Para isso, a comunidade do OSx86 Project criou uma lista de compatibilidade de hardware, a HCL. Ela é organizada por componentes ou máquinas prontas (portáteis e desktops), cada uma, por sua vez, organizada por fabricante. O problema é que a informação que você procura pode estar espalhada em várias listas, e uma placa que funciona no Mac OS X 10.5.3 pode não funcionar no 10.5.6. Para piorar, uma placa que funciona pode não estar listada, ou estar, porém com um nome genérico. Tenha paciência.

Qual sistema?

Existem muitas versões “adaptadas” do Mac OS X circulando pela internet. iDeneb, Kalyway, iATKOS e WindOSx86, por exemplo, são só algumas delas. Cada uma tem seus prós e contras: umas se dão bem com um tipo de processador, outras são mais genéricas e algumas são especializadas para determinado modelo de máquina, como a WindOSx86, sob medida para netbooks como o MSI Wind, Mobo White e similares.

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Qual delas usar depende de seu hardware. Na dúvida, dê uma passada nos fóruns de discussão do site Insanely Mac, organizados por tópicos como instalação, drivers, multiboot (Windows e Mac OS X na mesma máquina) e afins. Entre outras coisas, lá você pode encontrar relatos de quem já fez a instalação, o que ajuda na decisão.

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Saber inglês é essencial, mas saber se comportar ajuda mais ainda. Se precisar de alguma informação que não encontrou, abra um novo tópico com sua pergunta, mas só depois de ter certeza de que ninguém perguntou a mesma coisa antes. Seja cortês e não espere, muito menos exija, informações imediatas ou uma solução “de bandeja” para seu problema, pois você pode ser ignorado, ou, ainda pior, expulso. Caso encontre uma solução, publique a resposta no fórum com a maior riqueza de detalhes possível. Os novatos que virão depois de você agradecem.

E nunca pergunte onde baixar o Mac OS X. Anote o nome da versão que lhe parecer mais interessante e procure em seu site de P2P favorito. Com certeza você encontrará alguma coisa.

A instalação

Netbook rodando o Mac OS X: rápido e bastante estável

Netbook rodando o Mac OS X: rápido e bastante estável

A instalação do OS X em si é, no geral, mais fácil que a do Windows ou de uma distribuição Linux, mas, tal como qualquer instalação de sistema operacional, exige cuidado. Se você quer deixar o HD inteiro para o Mac OS X, não tem muito com o que se preocupar: formate o disco e pise fundo. Mas se você quer fazer dual-boot, ou seja, manter Windows e Mac OS X juntos na mesma máquina e escolher um ou outro na hora de ligar, é preciso ter um pouco de atenção.

Faça um backup de todos os arquivos que julgar importantes antes de começar a instalação. Um erro e, puf!, lá se vão eles para a terra dos bits perdidos. Não se apresse, reserve algumas horas e prossiga com calma. Tenha em mãos tanto o DVD de instalação do Mac OS X como os discos de instalação do Windows e dos drivers de seu computador, caso necessário.

Na hora de gravar o DVD com o OS X, grave em uma velocidade baixa em mídia de qualidade e ligue a verificação de gravação, para ter certeza de que todos os dados estão lá direitinho. É grande o número de instalações que dão errado por problemas no disco, e não de compatibilidade. E não faça a instalação em uma máquina essencial para seu dia-a-dia, especialmente se no lado Windows está aquele programa que é seu ganha-pão. Nesse caso, arranje um PC cobaia e divirta-se com ele.

Arrumando a casa

Por melhor que seja a versão do Mac OS X que você baixou, ela dificilmente será perfeita. É muito provável que, após a instalação, você tenha de arregaçar as mangas para aparar algumas arestas, como configuração da rede sem fio, medição de bateria ou placa de vídeo (os problemas mais comuns).

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Isso provavelmente envolve voltar aos fóruns para descobrir o que deu errado, procurar uma solução e usar o Terminal para consertar o problema. O Terminal, com suas letrinhas brancas sobre fundo preto, pode parecer assustador à primeira vista, mas não tenha medo. Siga as instruções com atenção e tudo dará certo.

Na pior das hipóteses, se você realmente fizer uma besteira, terá de reinstalar o OS X. Aproveite para ganhar experiência no processo. Você vai ver que na segunda, terceira ou quinta vez, as coisas andam muito mais rápido.

Atualização? Não, obrigado

Por fim, nunca instale as atualizações oficiais da Apple em um Hackintosh. Na verdade algumas delas são seguras (como atualizações do iWork ou iTunes), mas tudo o que tem o potencial de mexer no sistema, como atualizações de segurança ou de versão (da 10.5.5 para a 10.5.6, por exemplo), pode, e provavelmente vai, “quebrar” o sistema. Ou seja, seu Hackintosh não vai mais dar boot e você fica “trancado do lado de fora”.

Mas isso não significa que você ficará preso a um sistema defasado. Frequentemente os autores das várias “distribuições” do OS X lançam pacotes que instalam as atualizações de forma segura, sem risco para a estabilidade do sistema. Como alternativa, surgem nos fóruns instruções de como neutralizar os updates da Apple “na raça” para realizar uma atualização manual. Em ambos os casos, o resultado final geralmente é o mesmo que você obteria se instalasse as atualizações oficiais em um Mac de verdade, com os mesmos benefícios. O segredo é ter paciência.

O Hackintosh para o resto de nós?

Sentiu o tamanho do drama de ter um Hackintosh? Pois bem, pensando em facilitar a vida de todos, uma pequena companhia europeia com o insuspeito nome de Art Studios Entertainment conseguiu produzir um pequeno milagre tecnológico, batizado de EFI-X (ou, dependendo de quem fala, EFiX), que se dispõe a fazer sozinho o trabalho de conversão em PCs desktop, sem precisar de modificações de qualquer outro tipo. Ele sequestra o controle interno do funcionamento do PC, tornando-o compatível com uma instalação normal do Mac OS X 10.5 Leopard. É um conceito tão bom que até parece pegadinha.

Como ele consegue a proeza?

Tecnicamente falando, o EFI-X é um BPU (boot processing unit) com interface USB, que substitui a sequência normal de inicialização do PC via Bios por uma EFI, que é o método oficialmente usado nos Macs com processador Intel. O PC com EFI-X oferece a opção de iniciar por qualquer um dos HDs disponíveis contendo sistema operacional. Não é necessário, porém, instalar o Boot Camp, já que o EFI-X provê sua própria tela de seleção de boot. O Windows, Linux ou outro sistema previamente instalado não sofre qualquer modificação em desempenho ou em funcionalidade. A única coisa que muda é o tempo de boot, que fica mais longo.

Instalação

Primeiro, o EFI-X deve ser espetado (por meio de um cabinho extensor que o acompanha) em uma porta USB da placa-mãe de seu PC. Essa porta é reconhecível por ter duas fileiras de pinos, uma com cinco contatos e a outra com quatro. As placas-mãe de PC costumam vir com um a três desses conectores internos. Alguma coisa pode já estar plugada neles (por exemplo, um leitor de cartões de memória), o que vai levar a um rearranjo dos periféricos. Fora isso, nada precisa ser feito dentro da máquina.

O segundo passo é ligar o PC. O computador mostrará a tela de apresentação normalmente; nesse instante, você deve pressionar a tecla que invoca as configurações da Bios. Dependendo do modelo do PC, essa tecla pode ser [Delete], [F2] ou [F11].

Chegando à tela de configuração, é preciso mudar o dispositivo primário de boot para o EFI-X e salvar a mudança.

Então, em vez de carregar o sistema operacional original como faria normalmente, o PC exibe uma tela preta com um cursor de texto animado no canto superior esquerdo, durante cerca de um minuto. Após isso, surge uma tela cinza que apresenta ícones dos discos de partida disponíveis para você fazer a seleção entre eles. Além do HD original contendo o Windows ou Linux, aparecerá um com de DVD, caso o drive óptico contenha algum disco. É nesse momento que você deve ter dentro do drive o DVD do Mac OS X Leopard; selecione-o na tela. Se tudo correr bem, aparecerá um novo ícone de disco com o logo da Apple e, a seguir, o instalador do Leopard, como se tratasse de um legítimo Mac Intel.

Funciona no meu PC?

Infelizmente não temos boas notícias no aspecto obviamente mais importante, que é a compatibilidade. A lista de hardware suportado não é extensa. Os processadores AMD estão fora, e ainda não existe suporte para notebooks. Esta é a receita de bolo do fabricante para um PC compatível: placa-mãe Gigabyte ou DFI; placa de vídeo NVIDIA ou ATI; 1 GB de RAM; 1 HD separado para cada sistema operacional; Mac OS X Leopard 10.5.0 ou posterior. Pode-se rodar, também, Windows XP (FAT32), Windows Vista (32 ou 64 bits) e Linux.

Tivemos a oportunidade de espetar o EFI-X em 10 PCs novos de “grife” – Positivo, Dell, HP, Semp Toshiba, Epcom, Megaware, Microboard –, todos pré-configurados de fábrica com Windows Vista. Rigorosamente, nenhum deles aceitou o EFI-X. A maioria o ignora ou trava na tela de inicialização do dispositivo. O computador que chegou mais perto de funcionar foi o Epcom Pentium Dual Core com placa-mãe da MSI; ele só empacou na hora de carregar o DVD do Leopard (as fotos que acompanham este texto são dele).

O fracasso mais surpreendente, porém, foi o PC novo da STI com Core Quad e placa-mãe Intel, que explicitamente proíbe o boot por dispositivo USB. Chega a mostrar uma mensagem sobre isso na tela inicial. Seria uma medida de segurança ou de restrição? Algo contra o Linux em pen drive? Ou já pensando nos Hackintoshes?

A conclusão é a seguinte: por ora, o EFI-X não serve em PCs populares. Só é negócio para modders com possibilidade de fuçar em hardware, pois caso ele encontre uma configuração que funcione, gastará muito menos do que comprando um Mac de verdade. Com um pouco de experimentação, seria possível construir um PC de quatro núcleos (Quad Core) com potência muito próxima à do Mac Pro de oito núcleos mais veloz do momento, tirando proveito, sempre que possível, do overclocking e do uso de novos componentes ainda não disponíveis nas configurações oficiais da Apple.

Dá rolo com a Apple?

A empresa insiste que o EFI-X é dirigido a entusiastas de PCs personalizados – gamers, modders, overclockers, fuçadores e técnicos interessados em montar workstations parrudas para uso científico ou em produção de mídia. Essas pessoas com interesses especializados já não comprariam um Mac em circunstâncias normais, afirma a companhia.

A licença de uso da Apple proíbe expressamente a instalação do Mac OS X em qualquer coisa que não tenha sido fabricada pela Apple. Como a tarefa de obter e instalar o Mac OS X é do usuário, é sobre você, o consumidor, que recai o ônus da culpa.

A implementação técnica do produto, sem qualquer interferência no código proprietário da Apple, aparentemente manterá o fabricante do EFI-X longe dos advogados da Apple. Para se garantir ainda mais, a empresa proibiu a venda em conjunto com qualquer modelo de PC, somente como produto avulso.

Instalação do EFI-X, passo-a passo

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1 Achar um conector USB livre na placa-mãe do PC.

2 Ligar o PC, abrir a configuração da BIOS e mudar a sequência de boot para que o PC tente dar partida pelo EFI-X.

3 O cursor de texto giratório indica que o EFI-X está agindo.

4 Selecionar entre os discos de partida disponíveis; o DVD contém o Leopard.

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5 Caso o Mac OS X seja identificado, o ícone mostrará o símbolo da Apple.


EFI-X

Prós
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Contras
blafoo
Preço
US$ 240 (EUA)
Web
www.efi-x.com
www.expresshd.com

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