sábado, 28 de março de 2009

Barra ou Pizza?


No trabalho, muitas vezes, é preciso apresentar uma montanha de dados de maneira clara e, ao mesmo tempo, bonita e agradável de ver. Com uma salada de números, isso é impossível. Por isso, a utilização de gráficos é a maneira mais eficiente de mostrar os dados numéricos.

Programas como Excel (Microsoft) e Numbers (Apple) transformam planilhas em gráficos com poucos cliques de mouse. Mas certos cuidados precisam ser tomados. Compilamos algumas dicas para ajudar na construção de gráficos matadores.

Entenda o conteúdo

Antes de começar, leia e entenda o que está sendo exposto. A seguir, procure olhar essa informação com “os olhos de quem vai ler”. Faça uma lista com os pontos principais do assunto, para organizar melhor suas as ideias.

Escolha a forma

Que tipo de gráfico vamos usar? Os programas oferecem diversos tipos de barras: pizza, colunas, linhas, fluxogramas. Mas quando é melhor usar um ou outro?

Barras são legais para comparar valores ou comportamentos em um intervalo de tempo. Utilize quando os números forem bem diferentes, para ter barras mais distintas e tornar mais evidente as discrepâncias.

Diagramas e fluxogramas deixam claros processos ou relacionamentos.

Gráficos do tipo pizza mostram bem subdivisões da informação. Lembre-se de usar porcentagens e que o total deve ser 100%.

Linhas mostram de maneira contínua a evolução de valores ou comportamentos. É como um gráfico de barras interligados. Comparam bem a evolução de produtos similares ao longo do tempo. Muito usados para mostrar o comportamento da flutuação nas inquietas bolsas de valores.

A forma do gráfico deve ser adequada ao seu conteúdo. Experimente e veja se a informação fica clara.

A forma do gráfico deve ser adequada ao seu conteúdo. Experimente e veja se a informação fica clara.

Nesse momento, é importante que você faça um rascunho de seu gráfico. Transponha os pontos principais levantados anteriormente para uma ideia visual. Veja se suas ideias expõem os dados de forma consistente e eficiente (sempre pelos olhos do freguês, é bom não esquecer). Não é a hora de pensar no que fica bonito, mas no que é mais claro.

Mãos e mouse à obra

Quatro pontos devem ser levados em consideração, agora considerando a estrutura visual do gráfico:

Aparência Nós, ocidentais, lemos primeiro o canto superior esquerdo e vamos descendo. Logo, insira nesse canto o título e as informações introdutórias. Enfim, o que deve ser visto inicialmente fica mais para cima e mais para a esquerda. As informações que explicam aspectos do gráfico devem ficar mais para baixo e mais para a direita;

Tamanhos Dados mais importantes são maiores. Menos importantes, menores. Mas cuidado para não criar um monte de tamanhos diferentes de letras para não confundir o leitor. Pense apenas em um tamanho maior para o título, um médio para a introdução e um menor para as legendas e partes do gráfico. Só;

Tipos de letras Menos é mais. Um carnaval de fontes é absolutamente desnecessário. Restrinja-se a, no máximo, dois tipos de fonte. Veja se o tipo de letra fica legível em todos os tamanhos previstos e se estão de acordo com o tipo e informação apresentada (uma letra floreada e “brincalhona” não é coerente com um gráfico que apresente número de alces abatidos no Alaska nos últimos anos, por exemplo);

Lembre-se sempre que o mais importante é o conteúdo. A estrutura, cores e formas permitem que o leitor compreenda mais facilmente as informações apresentadas.

Lembre-se sempre que o mais importante é o conteúdo. A estrutura, cores e formas permitem que o leitor compreenda mais facilmente as informações apresentadas.

Cores A dica dos especialistas é: comece em preto-e-branco. Certifique-se de que a informação está absolutamente compreensível assim. Se estiver, coloque cor apenas onde é preciso destaque, geralmente os pontos principais de que falamos no começo. Particularmente, evito cores primárias (vermelhos, amarelos, azuis puros) porque podem prejudicar combinações. Use subtons de uma mesma cor ou escolha uma paleta de cores que combine (velho ditado da selva: o que não contrasta, combina). Ah, se a impressão for feita em preto e branco, use cinzas, preto e branco.

Toque final

Um gráfico de barras não precisa ser construído usando apenas as ditas-cujas. Por exemplo, você pode usar o frasco de um produto em comparação com seus concorrentes, ou elementos visuais que reforcem a ideia que queremos passar (pilhas de sacos de arroz ou de carros para representar as vendas).

Quero dizer, não se restrinja aos formatos prédefinidos pelos programas (mesmo que, no caso do Keynote e Numbers, sejam muito legais e bonitos). A forma pode e deve reforçar o conteúdo, sem se sobrepor a ele. O que nos leva ao próximo ponto.

Evite erros comuns

Depois de montar seu gráfico, levante-se, tome um pouco de água, e olhe o resultado com olhos críticos. Veja se você não cometeu um dos seguintes pecados:

Falta de foco Alguma coisa tem de capturar seu olhar de cara. Se as barras ficaram muito parecidas, nenhuma fatia da pizza abriu seu apetite por mais detalhes, as linhas são planas e o fluxo confuso, o gráfico está inadequado. Por exemplo, se você destacar uma pequena fatia da pizza do corpo da pizza ou deixar apenas uma barra em cor diferente, um foco estará criado;

Inconsistência Elementos (ou mesmo gráficos) similares devem ter importância visual similar. Seja em tamanho, cores, formas etc. Assim você não confunde o leitor e as informações podem ser comparadas mais facilmente;

Exageros Uma máxima do processo criativo é que, ao se terminar um trabalho, deve-se tirar um elemento sem que isso prejudique o todo. Se mais de um elemento tiver de ser retirado, reveja seu gráfico. Você exagerou na dose;

Linhas As pessoas adoram encaixotar os gráficos, colocando o máximo possível de contornos, linhas, eixos, setas. Veja se são estritamente necessárias. Se não, elimine-as. Deixe seu gráfico ventilado, não comprima as informações.

Firulas Quanto mais simples, melhor será a compreensão do conteúdo. Efeitos tridimensionais, sombras, reflexos, texturas ou a repetição de elementos visuais podem distrair a atenção do leitor para o que é realmente importante – as informações apresentadas. Muitas vezes, as firulas servem para disfarçar a falta de conteúdo. Assim o leitor olha para a forma, e não para o conteúdo.

Moral da história

O objetivo do gráfico é ser objetivo. Mesmo que efeitos e firulas sejam muito populares e bonitinhos, devem ser usados com moderação.

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